Recordes Históricos no 4T25
O mercado imobiliário brasileiro fechou o quarto trimestre de 2025 com números que surpreenderam até os analistas mais otimistas. Segundo dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, foram lançadas 196.027 unidades e vendidas 198.289 unidades entre outubro e dezembro de 2025 — os melhores resultados da série histórica.
O Índice de Velocidade de Vendas (IVV) atingiu 72%, o que significa que, para cada 100 unidades lançadas no trimestre, 72 foram vendidas no mesmo período. Esse indicador é considerado saudável quando supera 50%, e o resultado de 72% demonstra uma demanda aquecida mesmo em um cenário de juros elevados.
Por Que o Mercado Cresceu com SELIC a 15%?
A aparente contradição — recordes de vendas com a taxa básica de juros em 15% ao ano — tem explicação estrutural. O Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) opera com taxas subsidiadas pelo FGTS, descoladas da SELIC. Famílias com renda de até R$ 8.000 mensais acessam financiamentos entre 4% e 8,16% ao ano, independentemente do patamar da taxa básica.
Além disso, o segmento de alto padrão (acima de R$ 1,5 milhão por unidade) mostrou resiliência, pois compradores com maior poder aquisitivo frequentemente pagam à vista ou utilizam recursos próprios, reduzindo a dependência do crédito bancário convencional.
Dados Regionais: Quem Liderou?
A CBIC detalhou o desempenho por região:
- Sudeste: responsável por 58% dos lançamentos, com São Paulo concentrando 41% do total nacional
- Nordeste: crescimento de 23% nos lançamentos em relação ao 4T24, impulsionado por Fortaleza e Recife
- Sul: estabilidade, com Curitiba registrando IVV de 78% — o mais alto entre as capitais
- Centro-Oeste: Goiânia se destacou com crescimento de 31% nas vendas
Perspectivas para 2026
A CBIC projeta que o mercado manterá o ritmo positivo em 2026, especialmente se a SELIC iniciar o ciclo de queda previsto para março. A entidade estima que cada ponto percentual de redução na taxa básica pode incluir aproximadamente 160 mil novas famílias no mercado de financiamento imobiliário.
O grande desafio identificado pela entidade é o custo de insumos: o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) acumulou alta de 7,2% em 2025, pressionando as margens das incorporadoras, especialmente no segmento econômico onde os preços são mais controlados.
O Papel do FGTS e do SBPE
O financiamento habitacional em 2025 foi sustentado por dois pilares:
FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço): desembolsou R$ 127,4 bilhões para habitação no acumulado de 12 meses até dezembro, alta de 5% em relação a 2024. O crédito para construtoras (PJ) representou 32% do total em janeiro de 2026, ante 21% no mesmo período do ano anterior — sinal de que as incorporadoras estão antecipando lançamentos.
SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo): originou R$ 156 bilhões em 2025, queda de 13% em relação a 2024, reflexo direto da SELIC elevada que encareceu o crédito convencional. As cadernetas de poupança registraram saída líquida de R$ 18,8 bilhões em janeiro de 2026, o que pode pressionar ainda mais a disponibilidade de funding via SBPE.
Conclusão
Os recordes do 4T25 confirmam que o mercado imobiliário brasileiro tem motores estruturais robustos — déficit habitacional estimado em 8 milhões de moradias, urbanização crescente e programas governamentais de subsídio. A queda da SELIC, quando ocorrer, deve funcionar como catalisador adicional para um setor que já demonstrou capacidade de crescer mesmo em ambiente adverso.



